Nova categoria - Poesia

Há um século, Paul Klee observou que “a arte não reproduz o que é visível, ela torna visível”, pois ela é o processo jamais esgotado da interação entre as fontes subjetivas do artista e a objetividade da técnica. Embora Klee se referisse mais diretamente à pintura, o conceito de arte que ele formulou se estenderia a todas as formas de linguagem. O jogo sinestésico das cores e texturas que compõem a expressão poética, do mesmo modo que as pinceladas impressionistas, produz uma miríade de emoções e sensações, que visam a levar o leitor além do nível da consciência e da razão estética. As incursões ao inconsciente, por seu turno, imprimem um caráter mágico às palavras que, como no impulso criador do simbolismo, apontam para a eternidade. Ao encontrar a experiência pessoal do receptor, o texto lírico deixa de ser expressão para se tornar percepção de realidades possíveis.

Assim, a poesia torna visível o que as análises acadêmicas e as investigações jornalísticas não alcançam. Pensando na poesia como potência do pensamento, a Revista Diáspora publicará poemas escritos por diversos artistas e em diferentes línguas, traduzidos para o português, como mais uma forma de aproximação – cultural, intelectual, afetiva – entre nossos leitores e agentes sociais do Oriente Médio, Norte da África e suas diásporas. Com esse movimento, esperamos que a poesia agregue à Revista Diáspora a dimensão subjetiva das experiências pessoais e disponibilize para o leitor um novo mundo de impressões e sentimentos.

Palmeiras decapitadas

Palmeiras decapitadas Um poema de HOSSEINALI BASIRI (HASAN BASIRI)“Beheaded Palm Trees” A Poem by Hosseinali Basiri (Hasan Basiri) Sing me a song Of those beheaded palm trees In bombardments And the fields that Combined your childhood With the howling of hungry wolves...

Acusado de um beijo na rua

Acusado de um beijo na rua Um poema de Hosseinali Basiri (Hasan Basiri)“Being Accused of a Street Kiss” A Poem by Hosseinali Basiri (Hasan Basiri) The bruise on my back, Is the trace of men's lashes Those who admire and worship women's naked body From behind the walls...

Como se o vento

Como se o vento Um poema de Hosseinali Basiri (Hasan Basiri)“Feels Like the Wind” A Poem by Hosseinali Basiri (Hasan Basiri)’’   Feels like the wind Penetrated through my eyelashes In a blink The picture before me Turns to the storm of dust Difficult to cross A little...

20 de junho de 2009 Uma homenagem a Neda Agha Sultan

20 de junho de 2009 Uma homenagem a Neda Agha Sultan Um poema de Hosseinali Basiri (Hasan Basiri)“June 20, 2009” A Tribute to Neda Agha Sultan   On June 20, 2009 Kargar street was Covered with the blood Of a girl Who dared to bring Her precious dreams to the spotlight...

A mais trágica tragédia

A mais trágica tragédia  Um poema de Hosseinali Basiri (Hasan Basiri)“The Most Tragic Tragedy” A Poem by Hosseinali Basiri (Hasan Basiri)  You know! The most tragic tragedy Is our loneliness You Without me! Me Without You! And we still continue breathing!A MAIS...

Meio século

Meio século Um poema de Noha Khalaf Half a Century Nosf Qarn   For Half a Century I've been looking for you In the torn out pages of old books, In the footsteps of my ancestors, In my scattered papers, In the perfumes of my grandmother In my mother's...

Entre as rosas

Entre as rosas Um poema de Noha Khalaf Among the Roses Bayn al Weroud   No no! I do not want to disappear Beyond existence I would like to remain here Among the roses. Despite this burning sun Despite this bitter cold And despite all this mediocrity I...

Folhas de dispersão

Folhas de dispersão Um poema de Noha Khalaf Leaves of dispersion ‘awraq al shatat’ This is not a collection of poems These are just scattered leaves Lost in airports, highways, ports and alleys. I have tried to save some of them from the destruction of...

Minha mãe é de Jaffa

Minha mãe é de Jaffa Um poema de Noha Khalaf My Mother Comes from Jaffa Omi min Yafa   I entered the empty house, In devastated lands, To collect the remains of our pains and joys, After your departure. I looked at the dreams and memories inscribed In our...

Nossas idades

Nossas idades Um poema de Noha Khalaf  NOS AGES Nos âges, Saccagés par le temps, Blessés par tant de ravages, Se rencontrent au début d’un printemps. Nos âges, Ayant traversés tant d’orages Se retrouvent enfin Sous un toit, Abri de passage, Pour assouvir notre soif...

A lã: Um poema de Jalal Khosravi

A lã Um poema de Jalal Khosravi The Wool     I’m missing you Sitting here By my side And knitting Wool Thoughts Wool I’m missing you Please put your knitting aside Wanna knit a letter Knit me a few letters A lã Tradução: Lucas van Hombeeck   Sinto sua...

Estátua: Um poema de Jalal Khosravi

Estátua Um poema de Jalal Khosravi Statue      Wish I could be A statue Right now Holding a cup of tea And a scatter of poetry On my lips Wish I could turn into a rock So you could touch me Without regularity and shame Dust me out And kiss Estátua...

Lançamento: Um poema de Jalal Khosravi

Lançamento Um poema de Jalal Khosravi A ‘Launch     Feels like the earth is Out of its orbit I’ve been launched somewhere That I don’t know Tumultuous shapes Dubious unclear words Peregrine salutations Pills are useless And you do not Kiss me anymore...

Mulheres em Guerra: Um poema de Nasim Basiri

Mulheres em Guerra Um poema de Nasim Basiri Women in War   No Matter If you're from women in war in Paris Or women in war in Cobani Or women in war in Aleppo and Mosul Women die in nine months They die with a cut breast Bleeding to death On their way of...

As borboletas queimadas: Um poema de Nasim Basiri

As borboletas queimadas Um poema de Nasim Basiri The Burnt Butterflies   With the movement of your eyes Anslad and Tayfvn giants Were moving the chariots of fire patches Your tear drops Were spreading out the pieces of the sun In the black cemetery of...

Uma História Feminina: Um poema de Nasim Basiri

Uma História Feminina Um poema de Nasim Basiri A Feminine History   We’ve got an eminent story To be told A prominent history To be portrayed We resisted using arts and literature As weapons In the silent days The soothed years When all windows were closed...