Alepo: um pedaço da vida antes da guerra

Por Liza Dumovich

E

m 2009, estive na Síria para inaugurar o acordo internacional entre a Universidade Candido Mendes e a Universidade de Damasco. A missão acadêmica constava de um seminário e uma mostra fotográfica intitulados “Cidades e Mercados do Brasil”. Além disso, incluía uma viagem exploratória pelo país, que durou cerca de 20 dias. De volta ao Brasil, demos continuidade ao acordo, com uma exposição de fotografias etnográficas e um seminário sobre as cidades e os mercados sírios.

Uma das cidades que visitamos foi Alepo, a mais cosmopolita da nossa rota e, de acordo com o discurso onipresente, a segunda cidade continuamente habitada mais antiga do mundo, perdendo apenas para Jericó. Seus mercados e mesquitas eram os espaços  onde todos se encontravam e tudo acontecia. E foi nessas arenas públicas por excelência onde vivi minhas mais ricas experiências sírias.

Sete anos depois, porém, Alepo não existe mais. A guerra civil síria destruiu a cidade e suas vidas. Através desse ensaio fotográfico, espero suscitar no leitor um pouco das sensações alepinas que hoje estão relegadas à memória.

 

 

Sobre a autora:

Liza Dumovich é Antropóloga e Coeditora da Revista DIASPORA.